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De Pernambuco para o mundo: o legado de afeto e técnica da Casa de Mainha

Conheça a história da casa brasileira premiada no ArchDaily

Texto: Ana Clara

Zé Vágner (foto: arquivo pessoal)

Este é um momento de celebração para a arquitetura brasileira, especialmente para o Nordeste. A “Casa de Mainha”, um projeto que une afeto, técnica e materiais locais, foi eleita Obra do Ano (Building of the Year 2026) pelo ArchDaily, na categoria “Casas”.

O autor é o arquiteto Zé Vagner, de 32 anos, que comanda seu escritório em Feira Nova, no interior de Pernambuco. Com apenas quatro anos de atuação, Zé Vagner provou que a grande arquitetura não depende de orçamentos astronômicos, mas de um olhar atento às necessidades humanas e ao contexto.

O brilho que nasce no dia a dia

Localizada a 70 km de Recife, a Casa de Mainha é a reforma de uma residência com mais de 40 anos. O projeto buscou transformar um espaço antigo em uma moradia funcional, arejada e iluminada, respeitando a história da construção e, principalmente, de quem nela habita.

Para o arquiteto, os obstáculos do caminho foram o combustível para o sucesso. Segundo ele, em entrevista ao Club&Casa “é na dificuldade que existe a oportunidade da gente desenvolver soluções de destaque. Eu não digo nem inovadoras, mas a dificuldade no projeto não é um empecilho pra gente fazer uma boa arquitetura, mas é uma oportunidade pra gente brilhar“.

Casa de Mainha (foto: Hélder Santana)

A reforma não buscou inventar novas linguagens, mas aplicar conceitos fundamentais que resistem ao tempo. O projeto adota o uso predominante de materiais naturais e locais, ventilação cruzada e iluminação natural, além de priorizar o baixo custo de obra e manutenção. As soluções construtivas dialogam com a mão de obra local pouco especializada, valorizando o saber popular e garantindo a viabilidade da execução.

Zé Vagner explicou que o segredo foi fazer a casa pertencer ao lugar: “é uma casa que é feita para aquele espaço. Se você pega aquela casa e coloca em outro, não vai funcionar. Então, a casa nasceu para responder às condicionantes. Eu acho que foi isso num contexto de pouco dinheiro que fez essa casa brilhar“.

Arquitetura como ferramenta de vida

O prêmio internacional coloca os holofotes sobre uma prática que valoriza a memória afetiva, a mão de obra local e a cultura regional. Para Zé Vagner, essa vitória é um convite para repensar o papel do profissional.

Arquitetura é quando a gente melhora a qualidade de vida das pessoas. Quando o espaço atrapalha e o arquiteto chega e faz com que o espaço ajude ao invés de atrapalhar, isso é arquitetura. Então essa casa simples, sem muito esmero, ser premiada pra mim é uma oportunidade da gente repensar o modo de fazer arquitetura”, comentou o profissional.

A Casa de Mainha é a prova viva de que, quando o design encontra o propósito, ele é capaz de atravessar fronteiras e emocionar o mundo.

O selo ArchDaily de reconhecimento

O ArchDaily é reconhecido como um dos maiores e mais influentes acervos de arquitetura do mundo. Funcionando como uma plataforma colaborativa de alcance global, o portal divulga projetos que passam pelo crivo rigoroso da equipe de curadoria e, anualmente, promove a premiação das obras em 11 categorias. 

Somente na edição de 2026, foram mais de 120 mil votos, segundo a empresa. O prestígio do prêmio é refletido na diversidade geográfica dos vencedores, que nesta edição contemplou projetos em países como Brasil, Canadá, Chile, Dinamarca, Japão, Portugal, Coreia do Sul e Estados Unidos.

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